A mais recente publicação do Blog da Boitempo é o texto Terrorismo Oficial, do professor de História Contemporânea da USP Lincoln Secco. Um texto polêmico e, ao mesmo tempo, muito fundamentado, referente ao protesto realizado no dia 2 de fevereiro em São Paulo e à conduta da polícia militar.
Não é de hoje, e nem das Jornadas de Junho, que se discute o comportamento dos agentes da corporação. As manifestações que vêm ocorrendo desde o ano passado impulsionam o debate, que ganha visibilidade na mídia, mas nem por isso se aprofunda nos problemas reais e estruturais que fazem parte da nossa vida social. Além disso, mais importante que ficar avaliando as ações dos policiais é pensar na existência desse grupo intitulado polícia militar. Por que a militarização se o regime da ditadura, na teoria, já se encerrou? O problema não é a existência da polícia; ela é absolutamente necessária. O aspecto que se discute aqui é o da militarização. Como informação nunca é demais, sugiro a leitura do artigo Jabuticaba Policial, do Túlio Vianna, altamente esclarecedor sobre o significado da desmilitarização: "Desmilitarizar não é desarmar a polícia, [...] é afastar o ranço autoritário da nossa polícia e democratizá-la, garantindo os direitos dos próprios policiais, que hoje lhes são negados pelo militarismo, e exigindo deles em contrapartida o respeito inexorável às leis e a todo e qualquer cidadão".
Outro aspecto importantíssimo é a reflexão sobre alguns elementos presentes nos dias de hoje que são resquícios da nossa ditadura militar, dentre eles a herança policial. Um bom exemplo que deixo é o relato do jornalista Marcelo Rubens Paiva no programa Metrópolis da TV Cultura (dos 7 aos 8 minutos), que associou a morte de seu pai à morte de Amarildo no Rio de Janeiro.
Todas essas leituras da sociedade são necessárias: as tensões e contradições estão cada vez mais insustentáveis, e temos ciência do que pode vir a ocorrer em breve.

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