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  1. Combinação perigosa

    sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

    Os dias quentes parecem não ter fim. Muitas regiões do Brasil estão sofrendo com as altas temperaturas que, por sinal, estão atingindo recordes. Como sabemos, verão combina com praia, sol e muita bebida gelada: água, sucos naturais e... álcool. Eis o maior vilão e um dos principais protagonistas nesses dias. 
    De acordo com uma pesquisa realizada no Instituto Karolinska (Suécia) em parceria com a Universidade de Monza (Itália) e o Instituto de Pesquisa Farmacológica de Milão, o consumo de álcool sob o sol pode aumentar a possibilidade de câncer de pele. Não é necessário muito: apenas um copo de cerveja já é suficiente para aumentar em até 20% o risco da incidência do câncer de pele, infelizmente um dos mais graves por apresentar altas chances de metástase. E mais: passando dos quatro copos diários, o que não é difícil de acontecer, a incidência pode aumentar em até 55%. O excesso de exposição ao sol já pode provocar a doença. Porém, quando temos um potencializador como o álcool, o perigo é ainda maior, pois aumenta a sensibilidade da pele diante da luz intensa e desenvolve em nosso metabolismo diversas substâncias que proporcionam alterações nas células do nosso organismo.
    Quando soube desta notícia, no início do mês, resolvi assistir a alguns comerciais famosos de marcas de cervejas brasileiras. Alguns dos resultados:









    O que todos os comerciais têm em comum? Bebida, sol e mulher bonita.
    Após a divulgação do estudo realizado, é necessário investir em amplas campanhas de saúde pública e informar ao cidadão o quanto pode ser perigosa a combinação de sol e álcool. Durante os 365 dias do ano assistimos na televisão comerciais de cervejas cujo cenário é a praia e os protagonistas são homens e mulheres ingerindo a bebida, expostos ao sol. E as propagandas são boas, convencem-nos do quanto é bacana tomar uma cervejinha na praia, na piscina, no churrasco na laje, até porque "não faz mal pra ninguém, né?". Saúde é coisa séria. O Governo Federal, o Ministério da Saúde a as demais instituições competentes devem assumir a responsabilidade de elaborar campanhas de conscientização e alertar todos nós sobre este perigo.
    Afirmei também que outro elemento comum dos comerciais são as mulheres bonitas. Não é comum mulheres "normais" nas propagandas. São sempre corpos exuberantes, com um padrão estético muito delimitado. Lembro-me, inclusive, de uma marca de cerveja que chegou a tirar sarro com o tipo de mulher considerada intelectual, como se no mundo dos indivíduos dotados de conhecimento e inteligência não existisse vida social, happy hour e beleza, o que é um tremendo preconceito. Há também o aspecto da cor. No verão, a moda é estar bronzeado, ter marquinha. Para seguir a moda, muitos deixam de se cuidar em nome dessa pressão social. Por todas essas razões, o Estado não pode ser omisso e deve prestar esclarecimento à população. É um dever com o qual não se pode faltar.

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