Os dias quentes parecem não ter fim. Muitas regiões do Brasil estão sofrendo com as altas temperaturas que, por sinal, estão atingindo recordes. Como sabemos, verão combina com praia, sol e muita bebida gelada: água, sucos naturais e... álcool. Eis o maior vilão e um dos principais protagonistas nesses dias.
De acordo com uma pesquisa realizada no Instituto Karolinska (Suécia) em parceria com a Universidade de Monza (Itália) e o Instituto de Pesquisa Farmacológica de Milão, o consumo de álcool sob o sol pode aumentar a possibilidade de câncer de pele. Não é necessário muito: apenas um copo de cerveja já é suficiente para aumentar em até 20% o risco da incidência do câncer de pele, infelizmente um dos mais graves por apresentar altas chances de metástase. E mais: passando dos quatro copos diários, o que não é difícil de acontecer, a incidência pode aumentar em até 55%. O excesso de exposição ao sol já pode provocar a doença. Porém, quando temos um potencializador como o álcool, o perigo é ainda maior, pois aumenta a sensibilidade da pele diante da luz intensa e desenvolve em nosso metabolismo diversas substâncias que proporcionam alterações nas células do nosso organismo.
Quando soube desta notícia, no início do mês, resolvi assistir a alguns comerciais famosos de marcas de cervejas brasileiras. Alguns dos resultados:
O que todos os comerciais têm em comum? Bebida, sol e mulher bonita.
Após a divulgação do estudo realizado, é necessário investir em amplas campanhas de saúde pública e informar ao cidadão o quanto pode ser perigosa a combinação de sol e álcool. Durante os 365 dias do ano assistimos na televisão comerciais de cervejas cujo cenário é a praia e os protagonistas são homens e mulheres ingerindo a bebida, expostos ao sol. E as propagandas são boas, convencem-nos do quanto é bacana tomar uma cervejinha na praia, na piscina, no churrasco na laje, até porque "não faz mal pra ninguém, né?". Saúde é coisa séria. O Governo Federal, o Ministério da Saúde a as demais instituições competentes devem assumir a responsabilidade de elaborar campanhas de conscientização e alertar todos nós sobre este perigo.
Afirmei também que outro elemento comum dos comerciais são as mulheres bonitas. Não é comum mulheres "normais" nas propagandas. São sempre corpos exuberantes, com um padrão estético muito delimitado. Lembro-me, inclusive, de uma marca de cerveja que chegou a tirar sarro com o tipo de mulher considerada intelectual, como se no mundo dos indivíduos dotados de conhecimento e inteligência não existisse vida social, happy hour e beleza, o que é um tremendo preconceito. Há também o aspecto da cor. No verão, a moda é estar bronzeado, ter marquinha. Para seguir a moda, muitos deixam de se cuidar em nome dessa pressão social. Por todas essas razões, o Estado não pode ser omisso e deve prestar esclarecimento à população. É um dever com o qual não se pode faltar.

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