Mafalda está completando 50 anos de tirinhas iconoclastas e irreverentes. Seu criador, o cartunista Quino, lançou as tirinhas no período de 1964 a 1973, período que coincide, vale lembrar, com algumas ditaduras da América Latina e conflitos internacionais, como a Guerra do Vietnã e a Guerra Fria, e que são exploradas por Quino e representadas pela pequena notável. É interessante o fato de algumas tirinhas, feitas há décadas, ainda permanecerem atuais ou apresentarem questões que não foram resolvidas, sobretudo as que dizem respeito à política, aos homens, às ideologias. Sua fama é tanta que praticamente virou elemento obrigatório de vestibulares e concursos.
Claro que nem por isso Mafalda é ícone de um movimento contestador que, tendo consciência da complexidade da vida, da política e das armadilhas ideológicas, revolta-se contra tudo e todos. A maioria de suas tirinhas são inquietantes, mas é importante deixar claro que Mafalda apresenta elementos típicos da classe média argentina vinculada aos progressistas da década de 1960.
Outra observação é o fato da garota ter apenas seis anos de idade, e muito nos surpreenderia se encontrássemos crianças com toda sinceridade, eloquência e interesse por assuntos públicos como Mafalda; é praticamente inimaginável.
Por outro lado, assim como muitas crianças observam, o mundo dos adultos é algo estranho para Mafalda, que vive questionando os próprios pais e até desconhecidos sobre atitudes e valores para obter respostas e explicações em situações inusitadas. Ao lermos o livro Toda Mafalda, obra que reúne as todas as tirinhas da personagem apaixonada pelos Beatles e de seus amigos, poderemos perceber que ela permanece sem as respostas que tanto procura. Porém, deixa-nos uma ideia muito interessante e educativa: para o mundo ser melhor, as pessoas é que precisam ser melhores.




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