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  1. 50 anos com muita história pra contar

    quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

    Mafalda está completando 50 anos de tirinhas iconoclastas e irreverentes. Seu criador, o cartunista Quino, lançou as tirinhas no período de 1964 a 1973, período que coincide, vale lembrar, com algumas ditaduras da América Latina e conflitos internacionais, como a Guerra do Vietnã e a Guerra Fria, e que são exploradas por Quino e representadas pela pequena notável.  É interessante o fato de algumas tirinhas, feitas há décadas, ainda permanecerem atuais ou apresentarem questões que não foram resolvidas, sobretudo as que dizem respeito à política, aos homens, às ideologias. Sua fama é tanta que praticamente virou elemento obrigatório de vestibulares e concursos.
    Claro que nem por isso Mafalda é ícone de um movimento contestador que, tendo consciência da complexidade da vida, da política e das armadilhas ideológicas, revolta-se contra tudo e todos. A maioria de suas tirinhas são inquietantes, mas é importante deixar claro que Mafalda apresenta elementos típicos da classe média argentina vinculada aos progressistas da década de 1960. 
    Outra observação é o fato da garota ter apenas seis anos de idade, e muito nos surpreenderia se encontrássemos crianças com toda sinceridade, eloquência e interesse por assuntos públicos como Mafalda; é praticamente inimaginável.
    Por outro lado, assim como muitas crianças observam, o mundo dos adultos é algo estranho para Mafalda, que vive questionando os próprios pais e até desconhecidos sobre atitudes e valores para obter respostas e explicações em situações inusitadas. Ao lermos o livro Toda Mafalda, obra que reúne as todas as tirinhas da personagem apaixonada pelos Beatles e de seus amigos, poderemos perceber que ela permanece sem as respostas que tanto procura. Porém, deixa-nos uma ideia muito interessante e educativa: para o mundo ser melhor, as pessoas é que precisam ser melhores.






  2. Livro: Cidades Rebeldes

    terça-feira, 7 de janeiro de 2014

    A partir deste ano, o blog terá um espaço voltado exclusivamente para indicações de livros. A ideia não é disponibilizar resenhas profundas - são, mais uma vez, indicações. Os livros, que podem ou não ser da área sociológica, serão divulgados com a finalidade de despertar o interesse por temas relevantes.
    A primeira indicação será de um livro que talvez tenha sido um dos mais inquietantes do ano de 2012, bem como as motivações que levaram à publicação da obra: Cidades Rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil.

    Imagem: Outras Palavras

    No calor dos protestos e manifestações que invadiram as ruas, as manchetes de jornais, programas televisivos e, claro, as redes sociais, vários artigos foram divulgados; pensadores foram contratados exclusivamente para dar uma resposta "satisfatória" à população, que se indagava a todo momento - num misto de confusão, rebeldia, inconformismo, revolta e indiferença também - "o que está acontecendo?". Naturalmente, todos nós tentamos compreender o que essas duas semanas de rebelião urbana representaram para o país e os possíveis desdobramentos.
    Cidades Rebeldes, da Boitempo Editorial em parceria com a Carta Maior, é, sem sombra de dúvidas, a melhor produção sobre as jornadas de junho até o momento. Se quisermos uma reflexão mais profunda sobre os acontecimentos que atingiram proporções inimagináveis, esta é uma leitura obrigatória e, portanto, imprescindível.
    O livro é resultado de uma coletânea de ensaios cujos autores são de alto renome no pensamento crítico em escala (inter)nacional. Além disso, a obra reúne charges e imagens que não foram veiculadas pelos grandes meios de comunicação, ou melhor, pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista).
    No âmbito internacional, temos os ensaios de David Harvey, Mike Davis e Slavoj Zizek. Entre os autores brasileiros, temos Carlos Vainer, Ermínia Maricato, Felipe Brito, João Peschanski, Jorge Luiz Souto Maior, Leonardo Sakamoto, Lincoln Secco, Mauro Luis Iasi, Pedro Rocha de Oliveira, Raquel Rolnik, Ruy Braga, Silvia Viana e Venício Lima, além das colaborações da Mídia NINJA e do Movimento Passe Livre de São Paulo.
    Cidades Rebeldes apresenta os elementos que não apenas tornam as cidades mais complexas, contraditórias ou caóticas, mas como sentimos tais efeitos e de que forma se relacionam com as lutas e reivindicações. Um ponto interessante é que, ao contrário do que vimos ano passado, os ensaios não procuram atacar ferozmente ou idealizar as manifestações; eles abordam justamente o que está por trás desses atos.
    Mencionarei alguns aspectos do livro que contribuem para uma análise que atinja as expectativas do leitor. Em primeiro lugar, está claro que as vozes que se fizeram ouvir nas ruas não formam um conjunto homogêneo; os interesses não eram os mesmos. Apesar da diversidade ideológica nítida, na pauta das manifestações estavam as mais diversas agendas mal (ou ainda não) resolvidas. Outras abordagens presentes:
    - O transporte coletivo vinculado a um sistema completamente entregue à lógica da mercadoria.
    - Repensar o sentido da cidade, uma vez que ela é o principal local onde se dá a reprodução da força de trabalho, representa a expressão das relações sociais e prioriza o transporte individual.
    - Reformas: urbana, política e fundiária.
    - O direito à cidade, que não pode ser concebido como um direito (ou poder?) individual. Acredito que esta seja a discussão mais marcante do livro. Vale a pena uma citação da Raquel Rolnik:
    "Não se compra o direito à cidade em concessionárias de automóveis ou no Feirão da Caixa: o aumento de renda, que possibilita o crescimento do consumo, não "resolve" nem o problema da falta de urbanidade nem a precariedade dos serviços públicos de educação e saúde, muito menos a inexistência total de sistemas integrados eficientes e acessíveis de transporte ou a enorme fragmentação representada pela dualidade da nossa condição urbana (favela versus asfalto, legal versus ilegal, permanente versus provisório)".
    - A repressão brutal que os movimentos sofreram, física e ideologicamente.
    - A legitimidade das manifestações e uma das palavras mais utilizadas: vandalismo.
    - Compreender melhor a bandeira do transporte público.
    - Refletir a respeito de um movimento que começou Apartidário e se tornou ANTIpartidário.
    - A crítica da expansão (ou não) dos direitos sociais e a discussão acerca da qualidade dos serviços públicos.
    - Problematização da crise de representação política e os discursos dos grandes meios de comunicação que investem na desqualificação dos políticos e da própria política, através do discurso insistente da corrupção como principal responsável por tudo que acontece ou deixa de acontecer no Brasil.

    Todas essas reflexões estão em apenas 110 páginas, incluindo o item "Sobre os autores". Mais um bom motivo para ter Cidades Rebeldes: a obra custa aproximadamente R$ 10,00.

  3. Click: o que podemos estar fazendo de nós

    segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

    Embora se trate de uma ficção, o filme Click, produzido por Frank Coraci em 2006, engloba diversas categorias de análise e elementos científicos das pesquisas sociológicas recentes: a compressão do tempo, o trabalho e as atividades excessivas do cotidiano, o consumo, a instantaneidade, as relações fragilizadas. Esta comédia evidencia a efemeridade e o convívio destruído pela inovação tecnológica, aliado à falta de tempo e aos sentimentos de desequilíbrio e impotência.
    A trama relata a história do arquiteto Michael Newman, sua esposa Donna e seus dois filhos. Ao decidir que pretende ser o sócio da companhia onde trabalha, Michael começa a trabalhar demasiadamente. Tudo em nome da realização profissional. Esta escolha, no entanto, afasta-o de sua família; ele não consegue mais se dedicar ao ambiente familiar, ter momentos de descontração, lazer e mal se atenta à saúde. Resultado: dominado pelo estresse e pressionado por todos os lados, Newman resolve ir até a uma loja de departamento a fim de comprar uma espécie de controle remoto universal, adquirindo-o na sessão intitulada "Além".
    Ao começar a utilizar o controle, Michael logo descobre que o objeto possui o poder incrível de "controlar" o tempo e o espaço: pode estar em qualquer lugar ou tempo quando desejar, seja no passado, presente ou futuro.
    Com o Menu da Vida, Michael se sente
    o Todo-Poderoso
    Esta descoberta produz a sensação de Todo-Poderoso: com o Menu da Vida em suas mãos, o protagonista pode tomar todas as decisões de sua vida. A ênfase de Michael reside, sobretudo, no futuro em função de seu trabalho, do anseio pela promoção e aumento salarial. Aparentemente, ele parece ter encontrado a solução de seus problemas e, através de um clique, passa a acelerar os momentos em que se encontra com a esposa e os filhos, sem saber que o controle possui memória automática e o mesmo começa a apressar sempre as ocasiões em que o arquiteto não está trabalhando.
    Nesse sentido, associo  o filme ao princípio operativo weberiano da civilização moderna: a busca pela eliminação do tempo improdutivo, ocioso e, portanto, desperdiçado. Esta forma de conceber e controlar o tempo causa impacto na condição da existência humana. Com um desenvolvimento tecnológico cada vez maior em todos os setores, especialmente nos transportes e na comunicação, nosso tempo se tornou muito preciso e criou-se a ideia de ritmo frenético. Somos conduzidos a construir uma vida frenética também, pois, como diria Maria Rita Kehl, "nada causa tanto escândalo, em nosso tempo, quanto o tempo vazio. É preciso aproveitar o tempo, fazer render a vida, sem preguiça e sem descanso". Pensemos um pouco: somos capazes de conceber alguma forma de permanecer no mundo a não ser a da velocidade ou nos encontramos, verdadeiramente, mergulhados na urgência dos acontecimentos, compromissos e afazeres?
    Após alguns anos, Michael está prestes a se tornar o presidente da empresa e percebe que está sozinho numa casa com aparelhos tecnológicos de última geração. Ele encontra-se abandonado, vazio e solitário após a separação com Donna e vive constantemente no piloto automático, com o corpo presente e a mente ausente em todas as situações.
    Em estado de automatismo, pulando várias cenas e etapas da vida, sua memória começa a ser afetada a ponto de não se lembrar de nada. Michael sequer soube da morte do pai e não pôde voltar ao velório porque, naquele momento, estava trabalhando - e nem se lembrava disso. A compressão do tempo que produziu a instantaneidade diante de tantos afazeres compromete, de fato, a memória. Basta projetarmos esta tese para o nosso cotidiano.
    Ao se dar conta que suas escolhas o levaram às mais sérias consequências, sua maneira de contemplar a vida muda dramaticamente: Michael reconhece que a família está acima de tudo e morre.
    A grande revelação do filme está no final. Na verdade, toda a história não passa de um sonho que Michael teve ao se deitar em uma cama da loja que ele estava no início. Percebendo que ainda pode modificar sua vida, sai do estabelecimento disposto a trabalhar menos, dedicar-se mais à família e aproveitar cada minuto ao lado das pessoas que ama. É lógico que aí encontramos um paradoxo. Projetando mais uma vez esta ideia para nossa realidade, temos a consciência de que, para a maioria dos trabalhadores, não é possível trabalhar menos tendo em vista suas necessidades, bem como as relações de exploração a que estão submetidos.
    Este filme retrata situações do cotidiano e questões que ajudam a refletir sobre o modo como os indivíduos se relacionam com o outro e com o tempo: aborda a valorização do individualismo sobre o convívio coletivo. Também propõe a discussão da essência da vida, com a pretensão de que seja plena, satisfatória, feliz e segura. Este ideal parece estar no acúmulo material proporcional ao excesso de trabalho. O roteiro questiona o que realmente pode trazer alegria e realização às pessoas. Há quem pense que uma viagem para o exterior, a casa na praia, uma fazenda, o celular do momento ou o carro do ano são as soluções para estes anseios. A produção de Coraci consegue fazer uma bela associação de que a felicidade e a satisfação não estão naquilo que se consome e que se pode ter; a mensagem transmitida em Click sugere a crise de valores e referenciais, a fragmentação da existência. A questão central, resumidamente, é o sentido da vida e o que fazemos dela a partir de nossas escolhas, isto é, daquelas que estão ao nosso alcance, longe dos padrões hollywoodianos.

  4. Notas sobre o desafio de conviver nas cidades

    quinta-feira, 26 de setembro de 2013

    Esta postagem tem como objetivo lançar notas e provocações a respeito da convivência nas (grandes) cidades. 
    A cidade é um espaço de representações e significados. Dentre eles, mencionarei alguns: é o espaço dos impasses da convivência cultural, da repressão, do confinamento social, da violência, de carências sociais - educação e saúde, por exemplo - e dos problemas ligados ao excesso de população e déficit bens de consumo coletivos. É a representação por excelência do superurbanismo e seus excessos: tráfico, comunicação, intensidade, investimento. É a concretização das lutas simbólicas diante da lógica urbanizadora.
    A Sociologia tem uma importante contribuição para os estudos urbanos. Weber elaborou uma análise das grandes cidades até o século XVIII e percebeu que as classes, cada uma ao seu modo, são condicionadas às leis do mercado. Outro pensador de grande influência é Simmel que, ao desenvolver suas reflexões sobre a cidade, fala em tragédia da cultura, o conflito entre a subjetividade e o mundo exterior monetarizado e materialista. É possível também citar Bourdieu e o conceito de habitus. Embora o termo já tenha sido utilizado por outros pensadores, Bourdieu formulou o conceito de habitus como um instrumento de mediação entre condicionamentos sociais exteriores e a subjetividade dos sujeitos. Dessa forma, sendo uma reformulação constante, o habitus interfere diretamente na constituição das identidades sociais diante das múltiplas possibilidades e estilos de vida na cidade. E assim poderíamos indicar tantos outros que se propuseram a pensar e discutir a relação indivíduo-cidade. Porém, destaco um último elemento: a noção de belo, pois todos os indivíduos, de todas as classes, grupos e categorias, são guiados por valores e referenciais estéticos, mesmo que sejam os mais diversos possíveis.
    É imprescindível, portanto, refletir sobre o sentido que o espaço da cidade se apresenta para os cidadãos como classificação social. Ao pensarmos na urbanização e seus efeitos, não encontramos a exploração por si só, mas os resultados dos processos de exploração e relações de dominação. Nas fábricas, por exemplo e obviamente, temos a dominação/exploração de uma classe sobre outra. Mas as verdadeiras relações estão fora da fábrica: elas se encontram na complexidade e heterogeneidade que a cidade (pós)moderna representa hoje.

  5. Um par de botas - Vincent Van Gogh
    Diamond dust shoes - Andy Warhol
    Dois quadros e duas análises a respeito de pares de sapatos. Apesar de soar estranho, estas duas obras podem ajudar bastante na reflexão sobre as tendências do modernismo e do pós-modernismo. A princípio, esteticamente é possível notar várias diferenças, mas pretendo abordar minuciosamente alguns elementos, estando ou não evidentes, que contribuem para o debate. Também é importante esclarecer o motivo que me levou a elaborar esta análise: a obra Pós-Modernismo - a lógica cultural do capitalismo tardio, de Fredric Jameson. 
    O autor procurou discutir acerca do pós-modernismo, cujas diferenças mais nítidas entre o modernismo e o período que o sucede podem ser encontradas na arquitetura. Apesar deste posicionamento, o modo como Jameson constrói sua análise não é pós-moderno, especialmente porque trabalha com categorias específicas de história e totalidade, esta última de Lukács, para o qual não é possível a separação entre as esferas econômica, cultural, política e estética; todas são pensadas dentro de todo um processo estrutural. 
    Um par de botas, de Van Gogh, é uma imagem que permite afirmar que não se trata apenas de um par de sapatos que foi desenhado pelo artista num momento de lazer ou simplesmente por gosto, e está longe de ser isso. Esta obra representa todo um universo pautado na miséria agrícola e na pobreza rural, a esfera humana em que encontramos o trabalho penoso, árduo e opressivo, reduzida à condição mais brutal, desumana, ameaçada, arcaica e marginalizada.
    A explosão de cores é intencional neste trabalho de Van Gogh (aliás, percebemos a vivacidade em todas as suas produções) para entrar em contradição com o mundo sombrio que o artista quer nos apresentar. As tintas simbolizam um gesto utópico de Van Gogh na medida em que transforma o mundo opaco do camponês. É uma obra viva e profunda. Por isso, estou convencida de que considero legítima a ideia de materialidade renovada: parece carregar toda uma história de vida, onde é possível imaginar o contexto a que as botas se referem - trabalho e desgaste, além das outras características supramencionadas.
    Quando nos deparamos com a imagem pós-modernista de Andy Warhol, Diamond dust shoes, creio que o primeiro aspecto a ser observado é a ausência de assinatura do autor na obra. É importante dizer que as produções de Warhol não são pinturas; a técnica utilizada é a serigrafia. Em segundo lugar, as obras de Warhol são sempre modificadas, tanto que é comum encontrar diferentes versões referentes a um mesmo trabalho.
    Embora o uso abundante de cores também esteja presente neste artista, elas não possuem uma finalidade tão específica quanto nas telas de Van Gogh. Na verdade, o destaque se faz necessário porque a publicidade é trabalhada em cima se algo que possa chamar a atenção. Creio ser válido afirmar que no pós-modernismo a arte se confunde com a publicidade.
    Voltando à imagem de Diamond dust shoes, é perceptível que se trata de uma coleção de objetos sem vida (os sapatos) que não possuem um referencial histórico concreto. Na teoria pós-moderna, a falta de profundidade, de dimensão, é uma constante. Além disso, podemos observar que o enfraquecimento da historicidade também reflete as tendências do pós-modernismo, bem como o brilho falso da mercadoria. Basta lembrarmos de outras obras de Warhol, como as latas de sopa Campbell, a garrafa de Coca-Cola e os retratos de celebridades, cuja mais expressiva e conhecida de seus trabalhos é Marilyn Monroe. Estas são as maiores diferenças entre os retratos expostos e, consequentemente, de seus movimentos artísticos nos quais estão situados.
    Gostaria de retornar em Jameson e finalizar com uma relação entre o pós-modernismo e o modo de produção capitalista. Primeiro: não se trata somente de um estilo ou uma ideologia. O pós-modernismo diz respeito a uma nova história real do capitalismo e da cultura contemporânea, cuja questão central está na relação entre mercado e cultura, ou economia capitalista e cultura. Porém, isto não representa a ruptura de um momento do capitalismo, e sim marca uma continuidade em que o capital se aprofunda para áreas que até então , na modernidade, mantinham-se preservadas. O pós-modernismo não acarretou o fim de outras tendências. Ele é uma dominante cultural dentro de um universo onde coexistem outras formas culturais da modernidade. Por isso, o princípio fundamental de Jameson, o eixo de sua reflexão, consiste no reconhecimento de que houve uma mudança de significado e na função social da cultura no pós-modernismo, que seria as produções culturais mercantilizadas. Com a mercantilização da cultura, a imagem incorporaria uma dimensão superficial, e tenderia à ausência de profundidade histórica e crítica. Logo, a imagem representaria o signo da mercadoria no capitalismo contemporâneo.