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  1. Sobre guerras e crianças

    sexta-feira, 19 de agosto de 2016

    A História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa. (Karl Marx)

    Vietnã. Fonte: Café História    




    Sudão. Fonte: Amor pela fotografia

    Criança refugiada síria em praia na Turquia. Fonte: Exame

    Síria. Fonte: BBC

    O senhor da guerra não gosta de crianças.

  2. Nascidos para morrer

    segunda-feira, 28 de março de 2016

    Os atentados em Bruxelas ocorridos na semana passada somam quase 40 mortes e deixou mais de 300 feridos. Foram considerados os piores atentados da história da Bélgica, cometidos por jihadistas do grupo Estado Islâmico, que há tempos vem proclamando sua campanha de terror no Ocidente.
    Os jovens que foram responsabilizados pelo ataque. Fonte: Expreso.
    Semana passada, por coincidência de horário e lugar, assisti ao inútil diálogo entre os apresentadores da Rede Globo Rodrigo Bocardi (do Bom Dia SP) e Chico Pinheiro (do Bom Dia Brasil). Este dizia mais ou menos o seguinte: "eu chego na redação cinco e pouco da manhã e me deparo com notícias sobre os atentatos na Bélgica na pauta". Chico Pinheiro afirmou que seu dia já começava mal e ficava desanimado com essa onda de violência. Não satisfeito, lançou a cartada final: "a pessoa tem que ser muito ignorante para se explodir. O que uma pessoa tem na cabeça para fazer isso?". Este último comentário provavelmente foi a representação máxima do senso comum e não duvido que a maior parte do telespectador tenha a mesma linha de raciocínio. Acontece que Chico comprovou toda a sua falta de conhecimento sobre o assunto, ou usando a mesma palavra: mostrou-se ignorante. O olhar puramente ocidental e preconceituoso sobre esses indivíduos não faz a população entender o que se passa no universo dos jovens que optam pela adesão ao Estado Islâmico. Nesse aspecto, vale ressaltar a explicação dada pela professora de História Árabe da USP Arlene Clemesha no Jornal da Cultura terça-feira passada. Não precisamos de opiniões, mas de debates mais amplos que a Rede Globo está longe de nos oferecer. 
    Deixo também uma recomendação de leitura muito pertinente. Robert Fisk é um correspondente de guerra britânico residente no Líbano. Há 40 anos no front no Oriente Médio, deu uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo intitulada Nascidos para morrer. Selecionei trechos que merecem atenção:

    - "O que o EI quer é destruir a generosidade do Ocidente de dar abrigo aos refugiados. O grupo tenta nos fazer acreditar que seus recrutas fanáticos existem dentro da comunidade de refugiados. [...] Com atentados como esse, o objetivo do EI é nos fazer odiar os milhões de refugiados que vão à Europa e culpá-los pelos massacres do grupo."
    - "Os EUA têm tratado o EI em termos apocalípticos desde que o grupo se expandiu em 2014. Não têm estratégia para lidar com o EI, exceto bombardeá-lo e fazê-lo parecer muito maior do que é. De fato, o EI é perigoso. Mas a reação dos EUA tem sido do tipo Hollywood, em vez de por meio de conceitos."
    - "A melhor forma de destruir o grupo - e ele se autodestruirá - é promover justiça e educação no Oriente Médio."
    - "Na Segunda Guerra, em 1941, Churchill convocou um gabinete para organizar a Alemanha do pós-guerra quatro anos antes do fim do conflito. No passado planejávamos as coisas, hoje não. Veja a crise de refugiados: não estamos nem perto de saber como lidar."
    - "Sempre fizemos ações militares no Oriente Médio, mas tudo foram mortes, sangue e injustiças. [...] E ainda achamos que vai dar certo. É uma catástrofe! Não temos estratégia para o Oriente Médio."
    - "Os mapas que mostram vastos territórios de carnificina do EI não refletem seu poder real. O EI é uma terra de almas perdidas."

  3. O espelho do horror

    domingo, 8 de fevereiro de 2015

    O professor e historiador Leandro Karnal sempre consegue despertar em nós a capacidade da reflexão profunda e minuciosa, ainda que seja para discordar de suas colocações. No Youtube há vários vídeos que perpassam pelos mais diversos temas.
    Hoje foi publicado no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, seu artigo intitulado O espelho do horror. É uma leitura mais que fundamental para pensarmos a ligação historicamente determinada entre violência e religião, sobretudo num momento em que o grupo Estado Islâmico tem aparecido como protagonista de uma série de notícias. Será que os vínculos entre uma coisa e outra são tão fortes assim? Será que as pessoas realmente matam em nome de "algo maior"?
    Uma pequena provocação:
    "A marcha da História é um espetáculo terrível de atrocidades. A humanidade queima, empala, tortura, executa, cria câmaras de gás, mata de fome, bombardeia, enforca, esquarteja, leva à cadeira elétrica, perfura de balas, atropela e esmaga. Sempre foi assim, mas variam nossos mecanismos de crueldade e de violência. O que limita nossa crueldade é nossa tecnologia. Se alguém cair em tentação de atribuir à religião essa violência, deve aumentar a lista com dois tiranos campeões de genocídio, Stalin e Mao, ambos ateus. Não é Deus nem a raça; não é o momento nem as riquezas - somos nós mesmos. A semente do mal germina em nós, nós somos o mal. Se a água que rega é piedosa ou científica, ateia ou mística, tanto faz para as vítimas".

  4. Eu (não) sou Charlie

    domingo, 11 de janeiro de 2015

    O ano de 2015 mal começou e já vem dando sinais de que promete deixar as mentes pensantes inquietas.
    O mundo todo dirigiu os olhares à França semana passada num misto de revolta, indignação, tristeza e vingança diante do impacto causado pelo pior atentado das últimas cinco décadas no país. Os irmãos Said e Chérif Kouachi, supostamente responsáveis pelo ataque ao jornal Charlie Hebdo que culminou em 12 mortes (sendo dez jornalistas e dois policiais, um destes, inclusive, muçulmano) e 11 feridos, teriam cometido tamanha atrocidade a fim de vingar o Profeta Maomé. De acordo com informações policiais, os autores do crime chegaram até a gritar “Vingamos o Profeta”.
    Para o professor Reginaldo Nasser, cujas pesquisas estão concentradas na área de conflitos e segurança internacionais e terrorismo, o atentado foi planejado e os alvos eram específicos, a contar pela escolha das armas. “Outro aspecto é que o ataque foi muito bem organizado, por algum grupo que tem força e estratégia pra isso. [...] Os terroristas agiram com muita tranquilidade e isso expõe falhas gravíssimas no sistema de segurança francês”. Correm notícias de que a Al Qaeda no Iêmen assumiu a autoria do atentado.
    O grupo Estado Islâmico atribuiu aos irmãos o título de heróis. Neste mesmo dia, 150 mil pessoas foram às ruas de Paris em nome da democracia e da liberdade de expressão. Em outros países, inclusive no Brasil, aconteceram manifestações. Por outro lado, na Alemanha, houve manifestação pela expulsão dos muçulmanos da Europa. Na sexta-feira, a polícia francesa matou os dois suspeitos, que estavam próximos de Paris. Simultaneamente, ocorria na capital um ataque a um mercado judaico, realizado por um homem que estava ligado aos irmãos Kouachi.
    O Charlie Hebdo é internacionalmente conhecido por sua ironia e tom provocativo. É, ao mesmo tempo, desafiador porque nunca hesitou em retratar líderes políticos ou religiosos (sejam eles pertencentes às fés católica e judaica ou ao Islã), e o fez de forma satírica e corajosa, mas também constrangedora e discriminatória. Há oito anos o jornal vinha sofrendo ameaças e duas questões centrais devem fazer parte da nossa reflexão: a liberdade de pensamento e de expressão e os possíveis desdobramentos deste acontecimento.
    Como se sabe, a França tem um notável histórico de tensões em relação aos imigrantes, sobretudo aos muçulmanos. De seus 66 milhões de habitantes, de 5 a 6 milhões são muçulmanos, cuja maioria vive à margem da sociedade e está desempregada. Lamentavelmente, vários ataques às instituições muçulmanas foram registrados depois do ocorrido ao Charlie Hebdo e a tendência é que o preconceito com os imigrantes aumente em toda a Europa (como aconteceu nos Estados Unidos em 2001). Infelizmente, a maioria das pessoas está propensa a generalizar ocorrências individuais e projetá-las para o plano coletivo.
    Outra tendência é que a extrema direita se fortaleça, como já vem acontecendo, com seu discurso ultranacionalista e xenofóbico.  Marine Le Pen, da Frente Nacional, é a principal representante deste movimento e, por enquanto, é favorita nas eleições de 2017. Em contrapartida, é importante lembrar que o Charlie Hebdo se configura na ala da esquerda; Charb, o diretor do semanário assassinado, tinha forte ligação com os partidos progressistas franceses, o que nos leva a concluir que o episódio da semana passada está além da esfera religiosa. É também uma questão política: foi um baque para a esquerda e “aquela mãozinha” para a direita.
    Ainda é cabível a comparação de como a mídia trata o islamismo e os movimentos de direita. Em 2011, um fundamentalista cristão de extrema direita executou 76 pessoas na Noruega. A justificativa? Ele era louco, foi um caso isolado, não associado à crença religiosa. No caso da França e em outros eventos, a sensação que ficou foi a que todos os muçulmanos são perigosos e não merecem confiança.
    Diante do ocorrido, cabem também algumas perguntas: “Onde a liberdade de expressão começa e onde termina?”, “Devemos defender as publicações de Charlie Hebdo a partir do pressuposto da liberdade de expressão?”, “Até que ponto uma charge é uma crítica e quando passa a ser uma ofensa?”, “O que a liberdade nos permite fazer ou dizer?”. Conhecer o teor, o conteúdo do jornal, são fundamentais para direcionarmos nossas respostas. É bem verdade que o Charlie Hebdo tem ótimas charges e carictaruas do mundo do entretenimento. Porém, nosso foco são as de caráter religioso. Abaixo, algumas imagens: 


    "Enfim livre" - referente à renúncia de Bento XVI  

    A verdadeira história do menino Jesus

    Maomé beijando um cartunista com a frase: Amor, mais forte que o ódio

    Muçulmano recebe tiros. "O Corão é uma merda". O aviso em amarelo diz: Ele não pára balas.

    Ironia à Santíssima Trindade: O Pai, o Filho, o Espírito Santo. Referência ao casamento gay

    Intocáveis. Rabino empurra muçulmano com o aviso: Não se deve zombar.

    Judeu, católico e muçulmano: Censurem Charlie Hebdo!



    Vaticano: Outra eleição fraudada. Jesus Cristo: Soltem-me, eu quero voltar!

    Se Maomé voltasse...
    - Eu sou o Profeta, estúpido!
    - Cale a boca, infiel!

    Maomé: nasce uma estrela!

    Primeiramente, independentemente do que pensemos sobre as ilustrações acima, o ataque terrorista ao Charlie foi horrível e injustificável; a intolerância religiosa foi levada às últimas consequências. Porém, penso ser importante a diferença entre criticar ou questionar o caráter político-ideológico do islamismo, do judaísmo e do catolicismo e de atacar a fé dos adeptos dessas religiões. É uma linha tênue. As charges de Maomé, por exemplo, não têm apenas caráter questionador.
    Nos jornais, nas redes sociais e nas manifestações, a frase “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie) se propagou em velocidade indescritível. O que significa ser Charlie? Pode ser em prol de uma imprensa livre de autocensura e do politicamente correto, mas também irresponsável ao ridicularizar as fés professadas mundo afora.
    Talvez o Charlie Hebdo nunca tenha se preocupado de forma real com o contexto político-social dos muçulmanos na França e em toda a Europa; o humor “laico” e independente estaria acima de tudo. Entretanto, apesar de nos referirmos ao islamismo apenas como uma religião, ele está historicamente ligado à identidade cultural e política de um povo. A partir dos preceitos do Islã, qualquer representação do profeta Maomé é considerada ofensiva. Mas o semanário sempre foi além da pura representação, e mesmo aqueles que não são adeptos do Islã não deveriam ver apenas como uma sátira, uma vez que legitima a invisibilidade dessa população e não abre espaço para os diálogos de combate ao preconceito.
    Isso não torna, evidentemente, a comunidade muçulmana privilegiada. Acredito muito numa liberdade responsável e tolerante em relação a todas às religiões ou fatos que merecem ser caracterizados por cartunistas. Este humor livre, responsável e tolerante é possível. Inclusive, se pensarmos no que os humoristas brasileiros (alguns, infelizmente, de muita credibilidade) têm feito apenas “em nome do humor”, numa espécie de vale-tudo, também encontraremos discursos preconceituosos em relação a grupos sociais específicos. 

    Sem humor nós todos estamos mortos. Mas... que tipo de humor?


  5. 50 anos com muita história pra contar

    quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

    Mafalda está completando 50 anos de tirinhas iconoclastas e irreverentes. Seu criador, o cartunista Quino, lançou as tirinhas no período de 1964 a 1973, período que coincide, vale lembrar, com algumas ditaduras da América Latina e conflitos internacionais, como a Guerra do Vietnã e a Guerra Fria, e que são exploradas por Quino e representadas pela pequena notável.  É interessante o fato de algumas tirinhas, feitas há décadas, ainda permanecerem atuais ou apresentarem questões que não foram resolvidas, sobretudo as que dizem respeito à política, aos homens, às ideologias. Sua fama é tanta que praticamente virou elemento obrigatório de vestibulares e concursos.
    Claro que nem por isso Mafalda é ícone de um movimento contestador que, tendo consciência da complexidade da vida, da política e das armadilhas ideológicas, revolta-se contra tudo e todos. A maioria de suas tirinhas são inquietantes, mas é importante deixar claro que Mafalda apresenta elementos típicos da classe média argentina vinculada aos progressistas da década de 1960. 
    Outra observação é o fato da garota ter apenas seis anos de idade, e muito nos surpreenderia se encontrássemos crianças com toda sinceridade, eloquência e interesse por assuntos públicos como Mafalda; é praticamente inimaginável.
    Por outro lado, assim como muitas crianças observam, o mundo dos adultos é algo estranho para Mafalda, que vive questionando os próprios pais e até desconhecidos sobre atitudes e valores para obter respostas e explicações em situações inusitadas. Ao lermos o livro Toda Mafalda, obra que reúne as todas as tirinhas da personagem apaixonada pelos Beatles e de seus amigos, poderemos perceber que ela permanece sem as respostas que tanto procura. Porém, deixa-nos uma ideia muito interessante e educativa: para o mundo ser melhor, as pessoas é que precisam ser melhores.






  6. Em busca da memória perdida

    quarta-feira, 11 de setembro de 2013

    A partir de 2001, tornou-se comum as pessoas associarem o dia 11 de setembro ao trágico atentado nos Estados Unidos, especialmente no World Trade Center - as famosas Torres Gêmeas - e no Pentágono. Mais de 3.000 pessoas morreram. O que normalmente não é comentado nos grandes meios de comunicação é que, em 1973, neste mesmo dia, e curiosamente também numa terça-feira, os Estados Unidos participaram de um golpe militar que modificou radicalmente a trajetória de um país latino-americano: o Chile.
    O então presidente Salvador Allende, representante da Unidade Popular, havia sido eleito numa circunstância histórica de dependência em relação a países mais desenvolvidos, de monopólio do setor industrial e uma estrutura latifundiária sólida que contribuía para o aprofundamento das desigualdades social e econômica. Sua principal meta era criar condições de implantar o socialismo no Chile, investindo em educação, geração de empregos com remuneração adequada, reforma agrária e autonomia internacional.
    Com este projeto de emancipação, o nível de vida da população chilena elevou-se. No entanto, a dinâmica interna da política resultou em situações tão complexas que as coligações partidárias favoráveis ao regime de Allende se romperam. Tal fato propiciou instabilidade política da esquerda chilena, levando-a em direção ao fracasso da governabilidade.
    Ao contrário do que muitos imaginavam, o desfecho dessa experiência foi traumático. Em 1973, Allende, estando ciente da derrota de seu governo, pretendia comunicar publicamente o plebiscito no dia 11 de setembro. O general Augusto Pinochet, que no período exercia o cargo de Ministro Militar, estava envolvido com agentes da CIA que planejavam um golpe de Estado no Chile. Sendo informada a data do anúncio do plebiscito, Pinochet antecipou o golpe.
    Logo pela manhã, naquela terça-feira, 11 de setembro de 1973, o palácio La Moneda foi atacado e bombardeado. Os golpistas estavam executando seus planos.
    Ataque ao Palácio La Moneda - Chile, 1973
    A tese predominante é a de que Allende estava dentro do palácio e se suicidou, embora haja controvérsias e alguns afirmam que o presidente foi assassinado. A partir desse dia, foi instaurada no Chile uma ditadura militar que desencadeou num banho de sangue.
    O novo regime era altamente repressivo em relação a sindicatos, partidos de esquerda, estrangeiros e organizações democráticas. Através de relatórios, constatou-se que milhares de pessoas foram presas no maior complexo esportivo do Chile, o Estádio Nacional, pois as prisões, delegacias e quartéis ficaram lotados. Muitos foram interrogados, torturados e fuzilados.
    Ditadura no Chile
    Seus corpos eram jogados no mar por helicópteros. Os oficiais que praticavam as mais penosas torturas eram instruídos pelos Estados Unidos.
    Este período se encerrou em 1989. Até hoje alguns setores conservadores do Chile acreditam que o golpe tenha sido justo, necessário e conveniente. Afinal, este era o preço a ser pago para restabelecer a "unidade nacional" que fora dissolvida pela esquerda chilena, especialmente no governo de Allende. Relações de mercado eram mais importantes do que o caráter democrático. É claro que esta é uma leitura histórica guiada por uma ideologia que se confunde - e muito! - com a leitura oficial e a concretude dos fatos.
    Hoje, neste 11 de setembro, talvez muitos se lembrarão dos atentados ocorridos nos Estados Unidos. Quantos se lembrarão do aniversário de 4 décadas deste golpe no Chile? 40 anos do golpe militar que gerou ao menos 40 mil vítimas, incluindo execuções, desaparecimentos e torturas. Lembremo-nos dos chilenos também. 

  7. Afinal, o querem os Estados Unidos?

    terça-feira, 3 de setembro de 2013

    Vítimas do suposto ataque com armas
    químicas na Síria. Fonte: Terra.
    Há alguns dias, o principal assunto das mídias no que se refere à política internacional tem sido o possível ataque dos Estados Unidos à Síria. Enquanto Obama garante o uso de armas químicas do país árabe (terminantemente proibido no Protocolo de Genebra) e espera o aval do Congresso para dividir as responsabilidades, busca aliados e encontra uma Europa ambivalente. 
    Nesta primeira postagem, cabe-nos refletir: afinal, o que os Estados Unidos querem? O que pretendem com este ataque? Existe, de fato, algum interesse nessa invasão? É muito difícil apontar um caminho que responda com convicção a estas perguntas. Em primeiro lugar, é bom lembrar que os Estados Unidos não são a exceção da regra no uso de armas químicas. Em segundo lugar, ao analisarmos os conflitos da Síria nos últimos dois anos, poderemos notar que não houve mobilização e envolvimento por parte da comunidade internacional, especialmente dos Estados Unidos, que não encontram um aliado que possa servir de ponte agora que a Síria vê-se diante de uma possível transição de poder. Junte-se a isso o fato de o país norte-americano ter poucas relações convenientes com a região - por exemplo, o Irã e o grupo xiita libanês Hezbollah são considerados grandes inimigos.
    Sem grandes aliados na região:
    advogados paquistaneses pisam sobre
    as fotos de Obama antes de serem queimadas.
    Fonte: G1.
    Dentro desse cenário complexo, o que se pode afirmar até o momento é que, se de fato os Estados Unidos tivessem algum aliado e, sobretudo, se houvesse um interesse claro, um objetivo específico, provavelmente já teriam atacado a Síria. Estes são os dois empecilhos dos quais os Estados Unidos não se livrou. E como os riscos são os mais diversos possíveis, principalmente o da alta responsabilidade, que possivelmente será cobrada pelos outros países, é melhor esperarem. Mas não muito.