daquela fábrica
onde arderam
as meninas.
Nas fogueiras
destas fábricas
onde ardem, ainda,
as herdeiras desta sina.
Na figueira
onde queimaram
nossos sonhos,
tuas cinzas.
Nas fogueiras
queimam ainda,
como antes
bruxarias.
Na fogueira
preconceitos
invisíveis
queimam ainda.
Nas fogueiras
as meninas
pernas nuas
pelas ruas.
No fogo
em teu rosto
feito brasa
e hematoma.
Na fogueira
do teu sexo
que vestes
quando nua.
Da fogueiras
onde queima
tanta fúria
assassina.
Deste fogo, prometemos,
libertaremos
os teus sonhos
nossas filhas.
Este fogo
não se esquece:
nos aquece,
nos anima.
(Mauro Luis Iasi)
Não nos esqueçamos: oito de março é dia de reflexão numa sociedade cercada de ideologias e entraves machistas. A difícil luta se faz todos os dias e não é uma luta por igualdade em sentido estrito. As diferenças são naturais e absolutamente necessárias; elas não podem se tornar motivo de discriminação e inferioridade.
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| Luta das mulheres francesas. No cartaz, "a francesa deve votar". No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de votar em 1932. |
Em tempo: não existe A mulher. Existem mulheres. Nem melhor, nem pior. Cada mulher carrega sua história, suas angústias, seus prazeres. Que as mulheres compreendam que não existe um único modelo a ser seguido, pois o que nos une está além das diferenças físicas e psicológicas. Todas nós estamos no mesmo barco que foi construído socialmente e faz parte de uma estrutura milenar. A luta só se faz coletivamente.



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